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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Dar

Dar não é fazer amor.
Dar é dar.
Fazer amor é lindo, é sublime, é encantador, é esplêndido.

Mas dar é bom pra caramba. Dar é aquela coisa que alguém te puxa os cabelos da nuca...
Te chama de nomes que eu não escreveria... Não te vira com delicadeza...
Não sente vergonha de ritmos animais.
Dar é bom. Melhor do que dar, só dar por dar. Dar sem querer casar...
Dar porque o cara te esquenta a coluna vertebral... Te amolece o gingado...
Te molha o instinto.
Dar porque a vida é estressante e dar relaxa.
Dar porque se você não der para ele hoje, vai dar amanhã ou depois.
Têm pessoas que você vai acabar dando, não tem jeito.

Dar sem esperar ouvir promessas, sem esperar ouvir carinhos, sem esperar ouvir futuro.
Dar é bom, na hora. Durante um mês. Para os mais desavisados, talvez anos.

Mas dar e dar demais é ficar vazio. Dar é não ganhar.
É não ganhar um eu te amo baixinho perdido no meio do escuro.
É não ganhar uma mão no ombro quando o caos da cidade parece querer te abduzir.
É não ter companhia garantida para viajar (isso é uma merda).
É não ter para quem ligar quando recebe uma boa notícia (isso é uma merda).
Dar é não querer dormir encaixadinho. É não ter alguém para ouvir seus dengos... (isso é uma merda).
Mas dar é inevitável, dê mesmo, dê sempre, dê muito.

Mas dê mais ainda, muito mais do que qualquer coisa, uma chance ao amor.

Esse sim é o maior tesão. Esse sim relaxa, cura o mau humor, ameniza todas as crises e faz você flutuar .

Experimente ser amado...

Luiz Fernando Veríssimo

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