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domingo, 13 de setembro de 2009

Falando de sexo...


Ela na ponta dos pés. Ele avançando o peito. Ela sem entender como ele imobilizou suas duas mãos com apenas um braço. Ele pressionando o abdômen, colando as pernas, travando o pescoço, puxando o cabelo. Ela asfixiada, querendo ao mesmo tempo fugir e ser pega. O que fazem suas bocas, línguas e lábios, isso não importa.


O sexo acaba quando paramos por um copo de água? Massagem é preliminar? Mas e se eu uso uma extensão do meu corpo para massagear dentro do corpo dela/dele? “Não faça sexo sem camisinha”, dizem algumas campanhas. Aliás, o uso de preservativos talvez seja o principal responsável por acreditarmos que o sexo tenha um começo e um fim:

“O mais extraordinário instrumento de controle sobre a vida sexual foi produzido pela Aids, e isso é uma coisa que se fala muito raramente. Tudo bem, camisinha é legal e obrigatório, por mais que o Papa ache que não. O problema é que a maneira de transar mudou completamente. Com camisinha, primeiro você tem que ter uma ereção, depois coloca, depois penetra, depois tem que ficar até gozar, depois tira e joga fora e aí acabou e cada um vai tomar banho. Mas antes disso transar era ficar ali por 20 minutos, pára, bate um papo, toma um café, se beija, se chupa, explora… era uma dinâmica completamente diferente. A relação com o corpo do outro era completamente diferente. As relações sexuais se tornaram caretas e pragmáticas.” –Contardo Calligaris

Você pode estar com alguém à papear num bar , bebendo drinks, mas o fato é que suas glândulas sudoripas estarão produzindo os mais "venenosos" sulcos do prazer do instinto animal da conquista , da sedução, isso sem falar nas ocitocina, vasopressina, acetilcolina, epinefrina e serotonina espalhando freneticamente ao seu corpo...
ou seja você já está transando, troca de olhares com pupilas dilatadas, nuances molduladas no timbre de voz , pele ganhando aparência viscosa e rubra, sem falar também na endorfina, que é tão abrangente que faz com que se salive mais, deixando sua boca sempre semiaberta (inconsciente) com a pretenção de caça ao alimento.
Você pode passar a noite toda a setenta ou a dois centímetros de distância. Você pode colocar sua língua dentro da boca dela (dele). Você pode tirar a roupa ou não tirar nada. Pode fazer sexo anal ou apenas massageá-la(lo). O que importa é que você se relaciona com ele(ela) Em vez beijo e sexo, há incontáveis modos de relacionamento, interfaces de contato, profundidades de toque.
Sendo que a penetração é apenas uma consequência.

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