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terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um Pedido II


Não se apodera de mim deglutindo as minhas víceras,
até porque elas não me pertecem, apenas são
Só é permitido arte, arte ondulares, embaladas penetráveis, amante da cor e da dor.
Abrasivo ácido somente aos metais, sou feita de pele, carne, gordura, osso,
de um tempo cheirarei estrume
Deixe a fonte de luz somente aos vagalumes
Só é permitido ondas dos mares,(dessas que vem e vão)
mãos em minhas nádegas, cheiros indecifráveis,
Desejo demasiado atrofia o corpo, causa artrite, osteopore, longe de mim os "cão guia"
Que o devir seja a minha, a nossa melodia,
seguindo o rítmo de cada estação dia-a-dia
com proezas loucas de tesão.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Indissiocrasia


Nietzsche disse "não há fatos eternos, como não há verdades absolutas"
e confirmando eu digo,  vivemos o que não somos, e somos o que não vivemos....
a vida se repercuti assim, entre cafés, livros, histórias, pessoas...
sinto que a única coisa que salva dos blábláblás nauseantes é o sexo, por um determinado tempo ele faz o indeterminado.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Pergaminho




"Ah, vocês acham que só se constroem casas? Eu me construo e os construo continuamente, e vocês fazem o mesmo. E a construção dura enquanto o material dos nossos sentimentos não desmorona, enquanto dura o cimento da nossa vontade. Por que vocês acham que se recomenda tanto a firmeza de vontade ou a constância dos sentimentos? Basta que esta vacile um pouco, ou que aquela se altere em um ponto e mude minimamente... e adeus nossa realidade! Subitamente nos damos conta de que tudo não passava de uma ilusão nossa."


Luigi Pirandello. Um, nenhum, cem mil. Página 65.

Antropocêntrismo Contemporâneo


Angústia eterna se faz o homem
Dela se faz a incerteza na criação
Animais não vivem por angústia,
vivem pela limitação,
impulsionados apenas são
Será que a vida do homem
necessita de vida?
Negação da arte,
aqui estamos,
valores são quebrados
pois não existe mais verdade,
(e nunca existiu)
como Nietzsche já previa
ludibriação do pensamento
o homem vive a vida
torna contentamento
 em niilismo aqui estamos...
 busca personalizada com personagens
para facetas humanas
ideais corroem concomitante
e traz firmamento.


domingo, 15 de novembro de 2009

Sobre Ciganos...

Hoje um amigo me disse - Mari, você é uma cigana, e não adianta fugir que é mais forte que você. Suas palavras foram tão penetrantes quanto seu olhar que fiquei por um bom tempo ecoando seus dizeres em minha mente. Cigana, Cigana...lembrei-me  de um determinado dia quando era pequenina (deveria ter uns seis ou cinco anos de idade),  estava passando por uma praça qualquer com minha mãe e uma senhora vestida de uma saia amarelo ouro brilhante, sorriso frouxo, cabelos longos, prendidos de qualquer maneira nos abordou, minha mãe sempre foi uma pessoa gentil com as pessoas, é daquelas que não sabe dizer "não", mesmo sentindo indeferida a sua expressão. Lembro nitidamente que sentamos em um banco de madeira na praça, e  essa senhora pegou a mão de minha mãe e começou a ler, falou-lhe várias coisas que agora eu não me recordo, mas que de uma certa forma criou um novo impulso a minha mãe naquele momento, fazendo seus olhos cintilarem, mudando até a cor das suas bochechas, dando ar mais vívido e fresco,  num gesto imediato, ela retirou dentro da bolsa um frasco de perfume colocando na mão da cigana, dizendo-lhe que era a única coisa valiosa no momento que possuia, a senhora aceitou conformemente pelo presente. Levantamos com intuito de irmos  adiante,(minha mãe segura firmemente as minhas pequenas mãos com muita voracidade) antes aquela senhora, franziu o rosto projetando seu corpo, encurvando-o a minha estatura e postou a me olhar, e com dizeres ligeiros para a minha mãe, disse algumas palavras esquecidas por mim, e algo que na época não compreendi e nem dei razão aos sentidos, mas minha mente inconsciênte absorveu alguns sinônimos que hoje eu recordei,(talvez a minha vontade de potência)  -transformará numa mulher indomável aos imortais, disse sorrindo e se despedindo. 
Seguimos em frente pela praça até entrar numa rua,  eu  inclinava a cabeça para atrás, olhava a figura de saia reluzente como o Sol sumir aos poucos nas folhagens esverdeadas das árvores...
Caminhando pela rua, mamãe postou a me dizer firmemente -nunca acredite nos ciganos, são povos maldiciosos, malandros, fazem de tudo para ganharem dinheiro, e eu fiquei cheia de dúvidas, e uma delas  era tentar desvendar o mistério do rubor e  excitação da minha mãe instantes antes na praça, e o  porque as pessoas não gostavam dos ciganos, a primeira eu nunca desvendei, pois atrás de um ser intitulado como minha mãe, havia uma mulher sofrida, com um corpo e alma enclausurados ,  e a  segunda,  deixei ser influenciada pelo senso comum  até a minha vida adulta, sentia um certo medo e repudiação àqueles que se diziam ser ciganos...
Engraçado que tem coisas que ficam na mente e perdura com você até a sua vida atual,  Freud tenta explicar pelas teorias dos subconsciente, como outros pensadores também trazem outras teorias sobre, mas de fato é que incidente ou não eu lembrei dessa históra hoje, coincidência ou não,  mas me identifico muito  a ligação dos ciganos com a palavra liberdade, o povo Cigano é guardião da LIBERDADE. Seu grande lema é: "O Céu é meu teto; a Terra é minha pátria e a Liberdade é minha religião", traduzindo um espírito essencialmente nômade e livre dos condicionamentos das pessoas normais geralmente cerceadas pelos sistemas aos quais estão subjugadas. A vida é uma grande estrada, a alma é uma pequena carroça e a Divindade é o Carroceiro.
Estou com uma vontade enorme de pesquisar profundamente este povoado repudiado pela nossa sociedade presente, creio que eu venha realizar um "laboratório" sério sobre essa cultura e tradição. E graças ao meu querido amigo, tive um insight inebriante, diria até que é uma identificação de almas, pois sinto que minha alma é cigana, e como ela sou uma dilacerante  assídua da liberdade à divagar por esses cantos de mundo. 
 


sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Reflexão

Os blogs são, alguém o disse, lugares públicos de solidão

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Paixão

Não quero um amor remanascente,
Também não quero uma medida de colheradas de açúcar,
Quero esquecer o que já foi...
Me deixa apenas nua, se alimenta de cada vícera minha,
depois me jogue em um jardim qualquer
e lá serei abduzida terra germinante...
Mariana Tatos

Alienação


"Nova ditadura: o chefe avisou que não quer mandar em ninguém e nem dar ordens, o novo ditador deseja que você deseje realizar os desejos dele."
Estamos vivenciando a época da valorização da superficialidade,  esta é tão superficial que chega a se tornar profunda aos olhos de quem consome, pois o consumista não reflete sobre o que adquire, a ele só lhe é interessante o produto final e ponto.
A era da vanglória de redundâncias (forte corrente midiática publicitária, jornalística sensacionalista entre outras) movimento de cultura de repetição fazem com que a massa não tenha percepção crítica. E é interessante perceber que principalmente aqui no Brasil o anarquista hoje é visto como àquele que organiza, (um tempo atrás era um ruptor de conceitos) estando no centro das organizações.
A alienação domina os olhos de que veem, fazendo com que todos sejam pequenos bonequinhos de "vudu" às mãos do governo (nosso patrão) Pois o governo já não governa mais, mas representa a governabilidade, e tem em suas mão o poder, poder de ser ilegal, legalizando-se aos legais.
(não para por aqui)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobre Poetas

  Conheci Roberto Piva através de um documentário que assisti um tempo atrás, e me apaixonei não somente por suas palavras, mas pela vitalidade e energia que o artísta carre em suas palavras... nela, desconstroe a poesia como forma manifesta do sufoco e do despedaçamento do indivíduo na sociedade, rompe com a ordem lógico-frasal reproduzindo o caos da cidade, caos que gera uma desestrutura sensorial vista na afluência do delírio egóico na subjetivação do mundo pela irrupção do inconsciente. E sua poesia tem uma reação niilista contra  o mundo, anseio pela aniquilação presente. Abaixo um dos seus poemas, (um dos meus prediletos)

"A Piedade

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento
abatido na extrema paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da
luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria
aos sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam
cu-de-ferro e me fariam perguntas: por que navio
bóia? por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as
estátuas de fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos
pederastas ou barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam
que tenho todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos
pavimentos
os adolescentes nas escolas bufam como cadelas
asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através
dos meus sonhos"

Roberto Piva