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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Caos

Quem foi que disse que dias nublados não podem ser dias felizes??
Um chocolate...um livro...um edredom...um sexo....
um orgasmo renascendo contrastando com as nuvens carregadas lá fora...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Medo I

"Todas as ciências falam do medo: o homem ao tornar-se consciente, ascende à condição de animal que conhece, como nenhum outro, sua inviabilidade biológica. Seja no ambiente externo onde se move sob a ameaça da lógica implacável do mundo, seja no espaço interno onde habita sua ruína (a consciência dessa lógica implacável), não há como não perceber a condenação ao fracasso fisiológico final."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Estado II

As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens, ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional...
O homem iluminado não pode ser escravizado - este é o problema - e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.
O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.

(Osho The Zen Manifesto: Freedom from Oneself, Chapter 9)

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Estado I

Alegria é um estado psicológico alguém disse, que traz sensação de leveza a quem sente, 
contagia a quem seja permissivo a ela...é permitido a ver cores de arco-íris.
De fato Alegria é uma fenomelogia humana

sexta-feira, 30 de julho de 2010

|Transcedente

Por Mauricio Nascimento

Mourisca celebra quase manhã
No porto silêncio das noites frias
Que assolam seu corpo entrerijo
A balouçar por entre caminhos
Que me conduzem aos montes horizontes de devaneios
Perdido por entre as nuvens, sons, cheiros,
Formas que imagino em sensações

Mourisca em verde degusto
Combinação de paladares combinados
Perdidos no elã do tempo
Em sempre pretérito infinito
Dos olhares a me dizer o mundo

Mourisca a se revelar em plagas
Trilhas de formas cambiantes
Misturadas ao apelo de um pobre
Fascinado por viver o incerto
Do curso que revela o universo

domingo, 11 de julho de 2010

As vezes é preferível deixar as palavras se dissolverem no vento do que juntá-las num folha de papel ou "caixa virtual"... Por oras estou um pouco assim, mas eu volto!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Aos dias próprios

Nos dias próprios tudo pesa mais. Estabelecem-se recordes de passos com a maior velocidade. Os dias próprios são os mais sustentáveis por essa extrema lentidão, que leva à economia energética e a certa caricatura do espírito. São dias inúteis para desdramatizar, já que se levam tão a sério, sempre vendo o mundo em primeira pessoa. Coladas a si próprio, afogam-se todas as experiências vividas. 
Os dias próprios aplicam o excesso de vida em tempo real. Minutos próprios tornam as horas douradas, até a chegada das chuvas.

Cor

Cores queriam ser apenas o que eram, cores...
Alguém as pegaram e colocaram num vaso de jardim,
pois alguém queria apenas árvores de cores...
As cores nascem em vaso?

quarta-feira, 26 de maio de 2010

pensamentos são apenas pensamentos...

"...se antes de cada ato nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar." (José Saramago - "Ensaio sobre a cegueira")

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aos dias Similares

Nos dias similares, a produtividade não impede a existência de espaços livres de tempos drásticos que convertiam ócio, tédio e trabalho em único produto. A criatividade é a cognição dos dias similares. Sua cadeia de descontinuidade.
Os dias similares são de alta porosidade, absorvem tudo em seu tempo de coincidências, a capacidade temporal é enorme. 
As manhã de um mês todo podem coincidir, os melhores prazeres se acumulam nos dias similares.

Mas são dias de luz artificial. Ao caducarem, os tempos drásticos levam consigo a luz do dia, tal como a conhecíamos como a continuidade da noite.
Os dias similares facilitam desdramatizar o amor e dramatizar o humor. Ao transitar por esses dias o efeito surpresa não enfraquece, mas se transforma em um mundo surpreendente. A isso se soma a sensação de não saber optar entre chorar e rir. Uma bela despreocupação flui.

Uma pessoas que habilita somente esses dias será facilmente reconhecível por sua melancolia nada regressiva.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ao dias comuns

Nos dias comuns as tipologias são de grande utilidade. O tempo em comum as pessoas recusam as estatísticas , não existe comercialização da comunidade. No decorrer desses dias as pessoas adquirem certa imunidade aoconsumo drástico. Réplicas da multiplicidade são adoradas mediante rituais laicos que preocupavam aqueles que preferem os dias menos compartilhados.

Nos dias comuns, a arte pública é desnecessária por natureza faz um pacto tão íntimo com o real que nada está separado. As moradias unifamiliares são impossíveis. O trajeto de carro é desnecessário porque se tornaria eterno a partir do momento que saísse da garagem. Todo transporte é público e cada bilhete se repete sem lucro.

Nos dias comuns, as pessoas tem privilégios de atleta e atingem elaboradas condições ergonômicas.

A geometria, o caos e as medidas regulares transformam-se em cálculos corruptos. Um narcisismo suave faz com que os tempos sejam líquidos.....e teme-se inudações.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meu...

Um novo amor chega em mim sem que eu espere (e isso é muito bom), tudo o que é inesperado na vida é muito bom...Não contando o tempo em que estou com você, o tempo segue apenas o seu fluxo vital de encadear os nossos corpos ao exaurimento das nossas peles, e glândulas sudoripas se contra atacam para produções de odores mais delirosos possíveis...Um beijo terno, você me toca, e faz de mim apenas o que sou: uma mulher em seus braços...


 

Tempo de Sísifo...

Há um tempo em que eu não posto por aqui...acho que fui corrompida pelo "sistema"...estou tentando me livrar do mal...me recordei de coisas que nos fazem criar hábitos,  não conseguimos nos livrar dos tais hábitos para criar outros novos(e por que criar novos?)...parece que sempre precisamos de um "centro" de organização como uma biblioteca, onde tudo tem que ser catologado,  etiquetado e colocado a estante de exposição, o pior que muitas vezes, paradoxamente falando, não conseguimos encontrar o tal "centro". As etiquetas esvairiam-se pelas rotinas diárias dos nossos Carpiem Diem...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Contos...

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Não sou um poeta. Sou um libertino. Não tenho qualquer método de trabalho. Tenho um sexo. [...] E se escrevo, será talvez por necessidade, por higiene, como se come, como se respira, como se canta."
 Blaise Cendrars
Se todos fossem libertiniosos o mundo estaria em harmonia?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vida Contemporânea

A vida ainda não atingiu os extremos que a fariam sem sentido, mais muito dano foi causado, e todas as futuras ferramentas da certeza, inclusive as novíssimas rotinas (que provavelmente não durarão como o suficiente para se tornarem hábitos) não poderão ser mais que muletas, artifícios do engenho humano que só parecem a coisa em si se nos abstivermos de examiná-la muito de perto. Toda certeza alcançada depois do "pecado original" de desmantelar o mundo cotidiano cheio de rotina e vazio de reflexão terá que ser uma certeza manufaturada, uma certeza escancarada e desvergonhadamente "fabricada", sobrecarregada com toda a vulnerabilidade inata das decisões tomadas por humanos.

" Não acreditamos mais no mito da existência de fragmentos que, como peças de uma antiga estátua, estão meramente esperando que apareça o último caco para que todas possam ser coladas novamente para criar uma unidade que é precisamente a mesma que uma unidade que é precisamente a mesma que a unidade original. Não mais acreditamos numa totalidade primordial que existiu uma vez, nem numa totalidade final que espera por nós numa futura data".      Giles Deleuze e Felix Guattari, Capitalismo e esquizofrenia, 1977,pg42.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gosto

Não gosto de bom gosto, nem de bons modos, o meu eu não rege a etiquetas de um ser eloquênte,
quero fome rastejante pelos quatro cantos deste mundo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Gosto

Facas deveriam ser retiradas do armário da cozinha, pois tem gente que anda se suicidando pela vida alheia, uma dispersão de tempo embaralhado em suas próprias cabeças, embevecidos ficam  por uma terra que chama  a morte e enterro.
Mas provocar sentimentos e emoções em alguém é sempre bom, e eu gosto disto, numa terra em que vejo pessoas que não andam mais e  sim se rastejam pelo chão, não conseguem tirar calçados para sentir a lama entrando em seus poros em combustão
Córregos seguem os seus fluxos impreterivelmente, sem que ninguém o conceda compaixão, ele apenas é, convivência pacífica com a natureza, mergulhados pela força de água em sua terra.
Meu desejo não se anseia, não grita,  não se contamina com câncer, tumor, ou braço quebrado, Meu desejo é apenas poema, é corpo cristalizado por arte, arte que hora em hora se derrete como sorvete doce na boca de criança.
O líquído se liquidifica em erupções convulsivas de minha afeição, sem pedir lincença as pessoas, atravesso por todos os lados em desalinho de não caber em mim, zombando da morte com palavras surradas ,porém íntegras de ser apenas o que é: o gosto 



domingo, 4 de abril de 2010

Expelindo...

Olha só, a minha boceta começou a deportar formigas que há tempos percorriam pelo meu corpo, agora elas estão indo....eu as vi descendo entre as minhas coxas com formas lânguidas feito ervas trepadeiras, cairam dentro da  privada enquando eu soltava alguns excrementos distraidamente...
Antes de apertar o botão da descarga, fiquei observando as formigas pularem em meio maré  fecais....fiquei imaginando em qual terra carnal elas iriam se infiltrar de agora ao diante , será  que elas estariam contaminadas?, já que não moram mais em minhas víceras....mas uma coisa eu tenho certeza, em qualquer parte em que elas estarão,  elas continuam da mesma forma que sempre foram... desapercebidas.

O Volume do Grito

Eu sonhei que era um Serafim e as putas de São Paulo avançavam na densidade exasperante
estátuas com conjuntivite olham-me fraternalmente
defuntos acesos tagarelam mansamente ao pé de um cartão de visitas
bacharéis praticam sexo com liquidificadores como os pederastas cuja santidade confunde os zombeteiros
terraços ornados com samambaias e suicídios onde também as confissões mágicas podem causar paixões de tal gênero
relógios podres turbinas invisíveis burocracia de cinza cérebros blindados alambiques cegos viadutos demoníacos
capitais fora do Tempo e do Espaço e uma Sociedade Anônima
regendo a ilusão da perfeita bondade
Os gramofones dançam no cias
O Espírito Puro vomita um aplauso antiaéreo
O Homem Aritmético conta em voz alta os minutos que nos faltam contemplando a bomba atômica como se fosse seu espelho
encontro com Lorca num hospital da Lapa
a Virgem assassinada num bordel
estaleiros com coqueluches espetando banderillas no meu Tabu
eu bebia chá com pervitin para que todos apertassem minha mão elétrica
as nuvens coçavam os bigodes enquanto masturbavas sobre o cadáver ainda quente de tua filha menor
a lua tem violentas hemoptises no céu de nitrato
Deus suicidou-se com uma navalha espanhola
os braços caem
os olhos caem
os sexos caem
Jubileu da Morte
ó rosas ó arcanjos ó loucura apoderando-se do luto azul suspenso na minha voz


Roberto Piva

quarta-feira, 31 de março de 2010

Convexo II

Jardim do ego segue somente a si
irreprocháveis as palavras que ficam...
A ventania sim tem sabor de juventude,
somente ela entra em minhas estranhas
provocando ebulição dos sentidos,
mesmo que em perigo, o tempo se desfaz
ao tempo em que corro entre rabiscos...
As linhas desfazem em meu corpo dilacerante, 
Signos desalinham ao toque de minha pele,
vulva quente lampeja às trovoadas
rastros, rastros...é apenas o que se sente.
  Mariana Tatos

O que é a verdade?

O que é a verdade? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim uma soma de relações humanas que foram enfatizadas poética e retoricamente, transportas, enfeitadas , e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias .

Para muita gente, antes morrer que pensar. É isso que fazem.

Convexo I

A estrangeira veio até a mim perguntando de quem era este novo cheiro, ela sentia um feromônio diferenciado, uma mistura de outras partículas sudoríparas transgredida ao meu corpo. Disse a ela que nada estava sentido, a ausência era a mesma...lesmas andavam em meus cabelos simultaneamente quando alguém disperdiçou sémem em mim no seu estágio de imersão....
A estrangeira me informou que junções de duas partes ocasionam erupções de moléculas,  sendo que uma sempre levará consigo a outra. Eu me pus a ri abertamente, ri tão frouxamente  que ela se limitou a dizer : O caos reina o tempo todo em tudo...olhei no fundos de seus olhos para lhe dizer em silêncio, que somente o desabrochamento de uma flor me basta, pouco me importa  o seu odor, como também a própria flor. A ausência é sempre pernamente eu respondi....A estrangeira me retribiuiu com outro riso gostosamente, saiu com passinhos leves em seu salto de cano longo vermelho a caminhar por outras terras.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Rito I

Fui abduzida por uma força voraz no dia em que andei por terras desconhecidas...E lá estava eu, como uma forminguinha querendo andar por todos os caminhos, deixando rastro de feromônios...

A Casa era grande e amarela, paredes pintadas com alguns desenhos indígenas, alguns apanhadores de sonhos se encontravam pindurados em algumas lâmpadas das salas (pensei, um sonho sempre segue uma luz?)
Logo que cheguei, fui acolhida por uma senhora beirando seus 60anos, de sorriso amarelado, mas tão meigo e doce, que me fez sentir mais que protegida naquele recinto. Ela se apresentou pelo seu nome mas este  logo esqueci, (eu tenho péssima memória para recordar nomes de pessoas) só decorei as linhas do tempo em seu rosto.
Ela me conduziu para um grande salão na parte de baixo da casa, passei por uma pequena porta  de alumínio da sala, e para qual foi a minha surpresa, estávamos ao ar livre, um quintal mesclado com piso de cimento e um jardim com piso de terra e grama. Neste jardim  havia algumas vidas presentes, minuciosas em formas biológicas variáveis e orgânicas,  um pequeno riacho de água doce dividia o jardim , passamos por uma pequena passarela de madeira que alcançava a um outro piso de cimento, que este alcança a uma porta. Ao passar pela porta, a senhora, me fez um sinal para eu me silenciar, a partir daquele momento nínguém dizia a nada a ninguém , só o silêncio se permitia.
Comecei a sentir um cheiro diferente no ar, cheiro de terra, damasco,  alecrim e de madeiras queimadas, e com o cheiro eu vi várias cadeiras de balanço, e nelas haviam pessoas, gente que se expressavam apenas com o olhar, e eu vi os mais diversos tipos de olhares,  alguns alegres, outros desconfiados, alguns  assustadores, outros meigos, alguns ternos, outros excitantes, alguns nauseantes ao universo do nada...

De repente um sinal, todos ficaram em pé, o ritual estava começando...uma fila se formava em direção ao centro do salão, nele havia algumas pessoas e um pequeno balcão,  sobre ele um galão com a ayahuasca. Um a um foi pegando um pouco da bebida num copo descartável e retornando aos seu lugares esperando todos  encherem o copo. Neste momento não sei o porque,  mas fiz uma alusão a época da escola, em que eu junto com amigos fazíamos fila para a merenda escolar, e quando era dia de entrega de chocolate, a fila percorria por todo o pátio da escola...
Num gesto, uma pessoa levantou o copo ao alto e todos os copiaram, disseram alguma frase que eu não me lembro e tomaram a bebida sagrada, inclusive eu.
Soltaram sons new age como busca de hamozinação do ambiente. Eu fiquei marquetando na minha cabeça se o silêncio também não era uma forma de música, uma música que ninguém ouviu, lembrei de John Cage e senti saudades...

sábado, 13 de março de 2010

Amor Fati

"Nunca amamos ninguém. Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém. É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos. Isso é verdade em toda a escala do amor. No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio de um corpo estranho. No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado por intermédio de uma ideia nossa."

Fernando Pessoa

E eu sou assim...você é assim...nós somos assim...só sei dizer que eu vivo, vivo pulsante pelos cantos deste "mundão de meu Deus" , saltitando, absorvendo,  contraindo e expandindo ao meu amor ao amores do mundo.
Gosto na verdade da idéia de meu apaixonar...e só.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres admiráveis...

Aproveitando que hoje é o dia internacional da mulher, entre tantas mulheres admiráveis, destaco uma por aqui, seu nome é Leila Diniz
Leila Diniz foi professora, atriz, quebrou tabus numa época em que a repressão dominava o Brasil, bar-ba-ri-zooou ao exibir seu barrigão na praia, vestida só de biquini, e chocou o país inteiro ao proferir a frase: transo de manhã, de tarde e de noite. Era uma mulher de vanguarda, ousada, e abominava convenções. Foi duramente criticada pela sociedade machista na década de 60/70, invejada pela mulherada mal comida da época, e mal vista pela direita opressora.
Além de ser jovem e exuberante, Leila era uma mulher de atitude. Desbocada e transgressora. Falava de sua vida pessoal despudoradamente sem nenhum constrangimento. Concedeu diversas entrevistas marcantes à imprensa, mas a que causou mais burburinho no país foi a entrevista que ela deu ao jornal O Pasquim em 1969. Nessa entrevista, ela, a cada trecho, falava mil palavrões que eram substituídos por asteriscos[adoooooooooro] e achando pouco disse: 'Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama outra. Já aconteceu comigo'. Sua trajetória arrazante pela vida infelizmente foi bastante curta. Morreu num desastre aéreo no dia 14 de junho de 1972, quando voltava de uma viagem a Austrália aos 27 anos de idade, deixando uma filha de nome Janaina, que foi criada pelo casal Chico Buarque de Holanda e Marieta Severo, seus maiores amigos. Sua rebeldia, seu talento, a sua defesa em favor do amor livre e seus palavrões jamais serão esquecidos.

terça-feira, 2 de março de 2010

Estação


oh meu amor, quando compreenderás que o tempo somente é  fluxo e nada mais além disso...ele flutua como o ar, conservando a liberdade dentro de si mesmo. Nada fica, volta, ou segue, o tempo apenas pulsa, é apenas invariável,  nós somos apenas deglutidos por ele. Sim, nós somos, e não é crueldade, é apenas constatação que todos os dias o Sol cruza o céu de leste a oeste e só.



segunda-feira, 1 de março de 2010

Diálogo

Uma alma conversando com uma outra alma...
-Por que você está vestida?
-Porque alguém tem medo de me ver nua, simplesmente
-Ah, entendo...mas você deve sentir muito calor por debaixo destas malhas, né
-Não, na verdade eu até gosto, é confortável, aconchegante....
-Nossa! Você nem parece uma alma falando...creio que você foi abduzida por eles
-Hum, talvez, mas hoje eu tenho roupas, antes eu não tinha nada, vivia pelada pelos cantos...
 (um breve silêncio entre as duas almas)
 A alma se despediu da outra  e saiu flutuando seguindo o seu rumo sem direção como estava acostumada a fazer,  enquanto flutuava pelos ares , refletia consigo mesma -Bem que a minha mãe me disse que almas são diferentes mesmo, e eu que pensava que era só com os humanos...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Não sou Nem estou Nem isto Nem aquilo

Nem homem nem mulher
Nem doce nem salgada
Nem amo a ti como amo a mim
Nem aqui nem ali
Nem ando nem fico parada
Nem carnes nem vegetarianos
Nem puta nem donzela
Nem brownies nem torta light
Nem porra de pica nem porra de boceta
Nem montanhas nem alto mar
Nem junto demais nem perto demais
Nem petista nem tucanista
Nem louca nem socialista
Nem na boca, nem no cú
Nem catolicismo nem vudú
Nem Marina Ambrovic nem Pipilotti Rist
Nem Monalisa nem da Vinci
Nem líder nem submissa
Nem simples nem complicada
Nem orgias nem monogamias
Nem vem de noite nem de dia
Nem vespertina nem menina
Nem moleca nem boneca
Nem grito nem levanto
Nem choro nem prantos
Nem explico nem descomplico
Nem passo descompasso
Nem inverno nem verão
Nem terra, ar, nem chão
Nem tudo nem nada
Nem nada nem tudo...



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Arre!! II

"As mentiras sociais são mecanismos de defesa que se legitimam em busca de um melhor sentido para a existência humana."

O mundo é preguiçoso, é preferível viver numa mediocridade humana, se refugiar em "máscaras" de boas maneiras, de reflexos em espelhos alheios...tudo para manter um padrão social em uma sociedade cada vez mais veloz...confesso que não tenho forças para correr, estou com "cãimbras" e com ela meu corpo pede para ficar por um tempo paralisada, sim quero ficar como uma bela estátua de bronque  num parque qualquer que ninguém para pra olhar, pois estou cansada... cansada dos blábláblás, cansada de sentir, cansada de não poder sentir, cansada da indifença, cansada das porras que são os livros de auto ajudas, cansada das pessoas reacionárias, dos elitistas, cansada da mania de aristocratismo, cansada de gente, cansada de mim mesma....estou fechada para balanço  pois a misantropia me emerge.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um brinde ao Dionísio?

Sonhos de festas libertárias, tradições, comemorações culturais, foram comprados pela mídia oligarquica brasileira passando pela nossa  história e ninguém percebeu...ou será que foram embriagados pelo brilho de lantejolas que de tão cintilantes osfuscaram a vista? 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Devir

"A morte, o mais aterrorizador dos males, nada é para nós, dado que enquanto existimos a morte não está conosco; mas, quando a morte chega, nós não existimos.
  A morte  não diz respeito portanto nem aos vivos nem aos mortos, pois para os primeiros nada é, e os segundos já nada são." (Epicuro, Carta a Meneceu, p. 125)

Morte e vida estão sempre de mãos atadas e nós não a percebemos pois somos niilistas
Gosto da morte, e da palavra morte, gosto a da ebulição de caos que ela provoca, do tapa na cara,
da brutalidade que faça perceber como somos pequeninos diante dela, 
-não! não sou eu que comando, mas sim a morte, com mais voracidade da própria vida, 
atrocidade que comanda...e comanda assim,  bela, como uma dança clássica, 
baixinha.....e silenciosa...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Em busca do amor fati

E a vida é assim...inesperada, louca, desesperada em busca de ar aos pulmões para avivar raízes de corpos burocratizados...E eu sempre me perco por senti demasiado, o sofrimento mora ao lado do meu coração,
Será quem sem sofrimento o ser humano consegueria ser? humano demasiado humano?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Um...

Poema da gare de Astapovo
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!
Mário Quintana

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Desconstrução de Sonhos

 

"O MENININHO"

Era uma vez um menino. Ele era bastante pequeno.A escola era uma grande escola. Mas, quando o menininho descobriu que podia ir à sua sala, caminhando, através da porta, ele ficou feliz. E a escola não parecia mais tão grande quanto antes.

Uma manhã, quando o menininho estava na Escola, a professora disse:

* Hoje nós iremos fazer um desenho.
* Que bom! Pensou o menino. Ele gostava de fazer desenhos. Ele podia fazê-los de todos os tipos: leões, tigres, galinhas, vacas, barcos, trens; e ele pegou sua caixa de lápis e começou a desenhar. Mas a professora disse:
* Esperem! Ainda não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.
* Agora - disse a professor - nós iremos desenhar flores.
* Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de desenhar flores. E começou a desenhar com seu lápis cor de rosa, laranja e azul. Mas a professora disse: - Esperem! Vou mostrar como fazer. E a flor era vermelha com caule verde.
* Assim - disse a professora. Agora vocês podem começar.

Então ele olhou para a sua flor. Ele gostava mais de sua flor, mas não podia dizer isto. Ele virou o papel e desenhou uma flor igual à da professora. Ela era vermelha com caule verde.

Num outro dia, quando o menininho estava em aula, ao ar livre, a professora disse:

* Hoje nós vamos fazer alguma coisa com barro.
* Que bom! Pensou o menininho. Ele gostava de barro.

Ele podia fazer todos os tipos de coisas com barro: elefante, camundongos, carros e caminhões. Ele começou a juntar e amassar a sua bola de barro. Mas a professora disse:

* Esperem! Não é hora de começar. E ele esperou até que todos estivessem prontos.
* Agora, disse a professora, nós iremos fazer um prato.
* Que bom! Pensou o menino. Ele gostava de fazer pratos de todas as formas e tamanhos. A professora disse:
* Esperem! Vou mostrar como se faz. E ela mostrou a todos como fazer um prato fundo. - Assim - disse a professora. - agora vocês podem começar.

O menininho olhou para o prato da professora. Então olhou para o seu próprio prato. Ele gostava mais de seu prato do que o da professora. Mas não podia dizer isso. Ele amassou o seu barro numa grande bola novamente, e fez um prato igual ao da professora. Era um prato fundo. E muito cedo, o menininho aprendeu a esperar e a olhar, e a fazer as coisas exatamente como a professora. E muito cedo, ele não fazia mais as coisas por si próprio.

Então aconteceu que o menino e sua família mudaram-se para outra casa, em outra cidade, e o menininho tinha que ir para outra escola. E no primeiro dia ele estava lá. A professora disse:

* Hoje nós faremos um desenho. Que bom! Pensou o menininho. E ele esperou que a professora dissesse o que fazer. Mas a professora não disse. Ela apenas andava na sala. Veio até ele e falou: - Você não quer desenhar? - Como posso fazê-lo perguntou o menininho.
* Da maneira que você gostar, disse a professora. - De que cor? Perguntou o menininho. - Se todo mundo fizer o mesmo desenho e usar as mesmas cores, como eu posso saber quem fez o que? E qual o desenho de cada um?
* Eu não sei ,disse o menininho. E ele começou a desenhar uma flor vermelha com caule verde.
(texto de autor desconhecido)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Poetas

ALMA FECAL
Alma fecal contra a ditadura da ciência
Rua dos longos punhais
Garoto fascista belo como a grande noite esquimó
Clube do fogo do inferno: Alquimistas Xamãs
Beatniks
Je vois l’arbre à la langue rouge (Michaux)
Templo
Procissão do falo sagrado
Deuses contemplam nas trevas o sexo
do anjo do Tobogã
Felizes & famélicos garotos seminus dançam
como bibelôs ferozes
Pedras com suas bocas de seda
Partindo para uma existência invisível
Tudo que chamam de história é meu plano
de fuga da civilização de vocês
Roberto Piva, in Ciclines, 1997

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Digressão II

Minhas palavras são em evasão, pois minhas pernas estão doloridas de tanto correr (já não é mais emocional, é físico), cheguei em casa e percebi pela primeira vez que ela estava vazia, as paredes estavam sujas, móveis enferrujados e sujos, olhei para um  abajur cor de sangue no fim do corredor e já não iluminava mais aquele ambiente...as pragas faziam as festa ao meio da louça suja que por semanas tomavam posse da pia....
Ao instante que o bebê tinha escangalhado ao seus pais com um  inocente e contagiante sorriso ao ver a luz e formas de sua mente virgem, o meu coração bate procurando um rítmo que acerte num tempo que não é contado pelo relógio que está em meu pulso esquerdo.
Minhas pulsações se afloram como carne viva jorrando sangue vermelho por todos os lados e cantos, querendo deixar marcas, gritando como fogo latente buscando apenas conforto...mesmo assim eu percebi que tudo já não era mais como foi ontem, hoje os gases que soltei não tem o mesmo odor dos de ontem,  como as palavras digitadas não são mais as mesmas que se passam pela minha mente agora,
peito, tropeço desalinhado, não existindo para existir, pessoas com conversas ensfadonhas persistem se aproximar de mim, arre! porquê? não sou mel nem santa, sou filha da puta como muitas outras, não?
não, não é assim que me veem,  não é assim como me sentem...mas é tarde, tarde...
Algumas alusões a ludicidade me disseram que não é sangue que corre em minhas veias e nem os que mancham o tapete oriental do quarto, é tinta , tinta vermelha.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Desejo

Todo tempo precisamos estar preparados para o desconhecido, para as situações surpresa, residindo a energia, a arte...
Então me encontre por favor, estou nua e descoberta...

sábado, 16 de janeiro de 2010

Digressão I


Os segundos brotam como furúnculos, logo o Nada torna-se Absoluto e o Absurdo rotina....e assim somos confiantes a viver nossos "Carpe Diem" de cada dia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Híbrido

Dor e cor talvez seja uma só
ponto e navalha se faz o corte
fogo não queima almas soltas
pele expande o sangue que corre
escondido nas grutas escuras

Talvez cor e dor seja uma só
provocam em mim disritmia
aveludada, quente sob seu olhar
a criança corre mesmo que atrasada
o jardim ainda pequeno mas fugaz
enaltece os sonhos vermelhos

Cor e dor seja talvez uma só
prisão vela fulga de corpos inteiros
ou uma só, seja cor e dor
pois em mim sentidos criam-se espelhos

sábado, 9 de janeiro de 2010

Sexo Virtual, Sexo seguro...


        " ...As margens de um rio são plantas  e terra molhada.
Terra e água em convivência pacífica.
Que não é lama, é terra e água,
Em sua diferença.
....Na verdade sofro de excessos, que me dão certo vocabulário
Como derramar, escorrer, atravessar.
Tenho a impressão de que tudo vaza em sobras.
Tenho dificuldade em caber. "

Viviane Mosé


Minha vida como a sua e a dos nossos amantes,  necessariamente se expressa,  ela é excitação compulsiva, meu corpo, nossos corpos,  meu movimento, nossos movimentos,  simplesmente  exubera entre contração e expansão, correndo risco da intensidão, mas somos assim, meio fast food...
Minhas veias estão tão dilatadas que preciso de forma, preciso de molduras para não ser dissipada,
então meu amor, como não negar um sexo selvagem e sereno, gostoso contigo pela web? só não podemos esquecer de não derramar as nossas energias (lembraremos das nossas aulas de canalização de energia Kundalini), exercitaremos as nossas oxigenações para um gozo tântrico cibernético,
estou aqui do outro lado da tela, emanando desejo por milhares de kybites para ti, não se preocupa pois estamos fazendo sexo seguro, faz parte da evolução da nossa espécie, além que estamos  economizando cortes em seringueiras para produção de borrachas que tirariam o nosso gosto e conexão um ao outro...
Delicia em meu corpo, faz a minha potência mais viva com o seu olhar, seu  pau na cam me excita  completamente, lhe respondo colocando três dedos na boceta para você, meu amor meu amante, chego em você através de mim, pois estou transbordando...