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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Não sou Nem estou Nem isto Nem aquilo

Nem homem nem mulher
Nem doce nem salgada
Nem amo a ti como amo a mim
Nem aqui nem ali
Nem ando nem fico parada
Nem carnes nem vegetarianos
Nem puta nem donzela
Nem brownies nem torta light
Nem porra de pica nem porra de boceta
Nem montanhas nem alto mar
Nem junto demais nem perto demais
Nem petista nem tucanista
Nem louca nem socialista
Nem na boca, nem no cú
Nem catolicismo nem vudú
Nem Marina Ambrovic nem Pipilotti Rist
Nem Monalisa nem da Vinci
Nem líder nem submissa
Nem simples nem complicada
Nem orgias nem monogamias
Nem vem de noite nem de dia
Nem vespertina nem menina
Nem moleca nem boneca
Nem grito nem levanto
Nem choro nem prantos
Nem explico nem descomplico
Nem passo descompasso
Nem inverno nem verão
Nem terra, ar, nem chão
Nem tudo nem nada
Nem nada nem tudo...



quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Arre!! II

"As mentiras sociais são mecanismos de defesa que se legitimam em busca de um melhor sentido para a existência humana."

O mundo é preguiçoso, é preferível viver numa mediocridade humana, se refugiar em "máscaras" de boas maneiras, de reflexos em espelhos alheios...tudo para manter um padrão social em uma sociedade cada vez mais veloz...confesso que não tenho forças para correr, estou com "cãimbras" e com ela meu corpo pede para ficar por um tempo paralisada, sim quero ficar como uma bela estátua de bronque  num parque qualquer que ninguém para pra olhar, pois estou cansada... cansada dos blábláblás, cansada de sentir, cansada de não poder sentir, cansada da indifença, cansada das porras que são os livros de auto ajudas, cansada das pessoas reacionárias, dos elitistas, cansada da mania de aristocratismo, cansada de gente, cansada de mim mesma....estou fechada para balanço  pois a misantropia me emerge.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Um brinde ao Dionísio?

Sonhos de festas libertárias, tradições, comemorações culturais, foram comprados pela mídia oligarquica brasileira passando pela nossa  história e ninguém percebeu...ou será que foram embriagados pelo brilho de lantejolas que de tão cintilantes osfuscaram a vista? 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Devir

"A morte, o mais aterrorizador dos males, nada é para nós, dado que enquanto existimos a morte não está conosco; mas, quando a morte chega, nós não existimos.
  A morte  não diz respeito portanto nem aos vivos nem aos mortos, pois para os primeiros nada é, e os segundos já nada são." (Epicuro, Carta a Meneceu, p. 125)

Morte e vida estão sempre de mãos atadas e nós não a percebemos pois somos niilistas
Gosto da morte, e da palavra morte, gosto a da ebulição de caos que ela provoca, do tapa na cara,
da brutalidade que faça perceber como somos pequeninos diante dela, 
-não! não sou eu que comando, mas sim a morte, com mais voracidade da própria vida, 
atrocidade que comanda...e comanda assim,  bela, como uma dança clássica, 
baixinha.....e silenciosa...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Em busca do amor fati

E a vida é assim...inesperada, louca, desesperada em busca de ar aos pulmões para avivar raízes de corpos burocratizados...E eu sempre me perco por senti demasiado, o sofrimento mora ao lado do meu coração,
Será quem sem sofrimento o ser humano consegueria ser? humano demasiado humano?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Um...

Poema da gare de Astapovo
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!
Mário Quintana