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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Mais Um...

Poema da gare de Astapovo
O velho Leon Tolstoi fugiu de casa aos oitenta anos
E foi morrer na gare de Astapovo!
Com certeza sentou-se a um velho banco,
Um desses velhos bancos lustrosos pelo uso
Que existem em todas as estaçõezinhas pobres do mundo
Contra uma parede nua...
Sentou-se ...e sorriu amargamente
Pensando que
Em toda a sua vida
Apenas restava de seu a Gloria,
Esse irrisório chocalho cheio de guizos e fitinhas
Coloridas
Nas mãos esclerosadas de um caduco!
E entao a Morte,
Ao vê-lo tao sozinho aquela hora
Na estação deserta,
Julgou que ele estivesse ali a sua espera,
Quando apenas sentara para descansar um pouco!
A morte chegou na sua antiga locomotiva
(Ela sempre chega pontualmente na hora incerta...)
Mas talvez não pensou em nada disso, o grande Velho,
E quem sabe se ate não morreu feliz: ele fugiu...
Ele fugiu de casa...
Ele fugiu de casa aos oitenta anos de idade...
Não são todos que realizam os velhos sonhos da infância!
Mário Quintana

2 comentários:

  1. Matou, meu amor!!!
    As músicas, Quintana, Tostói e o findi
    sofrimento
    E fico aqui mastigando lentamente
    essa que parece uma vida inteira...

    Pela frente

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  2. Então, poetas da esperança
    cantando, não se sabe
    a guerra ou a paz
    passando

    Um dia ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar.
    Olhou-a de um jeito muito mais quente do que sempre costumava olhar.
    E não maldisse a vida tanto quanto era seu jeito de sempre falar.
    E nem deixou-a só num canto, pra seu grande espanto
    Convidou-a pra rodar.

    E então ela se fez bonita como há muito tempo não queria ousar.
    Com seu vestido decotado cheirando a guardado de tanto esperar.
    Depois os dois deram-se os braços como a muito tempo não se usava dar.
    E cheios de ternura e graça foram para a praça e começaram a se abraçar.

    E ali dançaram tanta dança que a vizinhança toda despertou.
    E foi tanta felicidade que toda cidade enfim se iluminou.
    E foram tantos beijos loucos, tantos gritos roucos como não se ouvia mais
    Que o mundo compreendeu
    E o dia amanheceu em paz.

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