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quinta-feira, 25 de março de 2010

Rito I

Fui abduzida por uma força voraz no dia em que andei por terras desconhecidas...E lá estava eu, como uma forminguinha querendo andar por todos os caminhos, deixando rastro de feromônios...

A Casa era grande e amarela, paredes pintadas com alguns desenhos indígenas, alguns apanhadores de sonhos se encontravam pindurados em algumas lâmpadas das salas (pensei, um sonho sempre segue uma luz?)
Logo que cheguei, fui acolhida por uma senhora beirando seus 60anos, de sorriso amarelado, mas tão meigo e doce, que me fez sentir mais que protegida naquele recinto. Ela se apresentou pelo seu nome mas este  logo esqueci, (eu tenho péssima memória para recordar nomes de pessoas) só decorei as linhas do tempo em seu rosto.
Ela me conduziu para um grande salão na parte de baixo da casa, passei por uma pequena porta  de alumínio da sala, e para qual foi a minha surpresa, estávamos ao ar livre, um quintal mesclado com piso de cimento e um jardim com piso de terra e grama. Neste jardim  havia algumas vidas presentes, minuciosas em formas biológicas variáveis e orgânicas,  um pequeno riacho de água doce dividia o jardim , passamos por uma pequena passarela de madeira que alcançava a um outro piso de cimento, que este alcança a uma porta. Ao passar pela porta, a senhora, me fez um sinal para eu me silenciar, a partir daquele momento nínguém dizia a nada a ninguém , só o silêncio se permitia.
Comecei a sentir um cheiro diferente no ar, cheiro de terra, damasco,  alecrim e de madeiras queimadas, e com o cheiro eu vi várias cadeiras de balanço, e nelas haviam pessoas, gente que se expressavam apenas com o olhar, e eu vi os mais diversos tipos de olhares,  alguns alegres, outros desconfiados, alguns  assustadores, outros meigos, alguns ternos, outros excitantes, alguns nauseantes ao universo do nada...

De repente um sinal, todos ficaram em pé, o ritual estava começando...uma fila se formava em direção ao centro do salão, nele havia algumas pessoas e um pequeno balcão,  sobre ele um galão com a ayahuasca. Um a um foi pegando um pouco da bebida num copo descartável e retornando aos seu lugares esperando todos  encherem o copo. Neste momento não sei o porque,  mas fiz uma alusão a época da escola, em que eu junto com amigos fazíamos fila para a merenda escolar, e quando era dia de entrega de chocolate, a fila percorria por todo o pátio da escola...
Num gesto, uma pessoa levantou o copo ao alto e todos os copiaram, disseram alguma frase que eu não me lembro e tomaram a bebida sagrada, inclusive eu.
Soltaram sons new age como busca de hamozinação do ambiente. Eu fiquei marquetando na minha cabeça se o silêncio também não era uma forma de música, uma música que ninguém ouviu, lembrei de John Cage e senti saudades...

3 comentários:

  1. Certa vez, entrei, tambem
    A luz eternamente escura
    o incenso era tão sutil
    que só havia este sentido

    Era feito shangrilá invisível
    ou muito escuro, onde sentados ao chão
    podíamos nos desintregar de vez

    Eu, no escuro, prefiro abrir os olhos
    e me vejo eternamente de volta
    à mãe ou à "menos pior" caverna de platão

    As duas opções, para cada neurônio
    fazia a felicidade de cada lugar
    um fazia comparação com o outro e vicieversa
    inventaram, nequele escuro, outras cores

    Eu chutava as latas imitando grafites
    transbordava o chão, sujamos o fundo das calças
    a mensagem louvando os afogamentos

    Eu boiei e me divertia enquanto todos nadavam
    no escuro, compreendi a razão do óbvio
    cégo, na primeira vez, tudo é surpresa

    Dei conta do tempo sem o temor de antes
    sua delicadeza e sem pressa ação sobre a pele
    não havia comparação no reino de deus

    Uma primeira luz se acendeu, e logo todas
    olhamo-nos e detemos por instante o real
    desejo, para lambem um pouco mais, antes

    Beijos, sem os dentes

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  2. Em meus delírios
    voce aparece
    e não é tão frágil
    como se quer de espelho

    Então meu reflexo
    desaparece em sua face
    a loucura ganha formas
    mais simples e comum

    E a vida não é a vontade
    e essa se desvia da potência
    e voce não se vê capaz

    De passar um pano no vidro
    para eu retornar ao que sou
    mais ou menos desobrigado

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  3. Você realmente é um zero à esquerda!
    Só esse tal de devir comenta suas bobagens com bobagens do mesmo nível!

    Saia de cena mariana(o) careca! Vai fazer poesia pros seus "mano" da torcida do corinthians!

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