Páginas

sexta-feira, 23 de abril de 2010

"Não sou um poeta. Sou um libertino. Não tenho qualquer método de trabalho. Tenho um sexo. [...] E se escrevo, será talvez por necessidade, por higiene, como se come, como se respira, como se canta."
 Blaise Cendrars
Se todos fossem libertiniosos o mundo estaria em harmonia?

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Vida Contemporânea

A vida ainda não atingiu os extremos que a fariam sem sentido, mais muito dano foi causado, e todas as futuras ferramentas da certeza, inclusive as novíssimas rotinas (que provavelmente não durarão como o suficiente para se tornarem hábitos) não poderão ser mais que muletas, artifícios do engenho humano que só parecem a coisa em si se nos abstivermos de examiná-la muito de perto. Toda certeza alcançada depois do "pecado original" de desmantelar o mundo cotidiano cheio de rotina e vazio de reflexão terá que ser uma certeza manufaturada, uma certeza escancarada e desvergonhadamente "fabricada", sobrecarregada com toda a vulnerabilidade inata das decisões tomadas por humanos.

" Não acreditamos mais no mito da existência de fragmentos que, como peças de uma antiga estátua, estão meramente esperando que apareça o último caco para que todas possam ser coladas novamente para criar uma unidade que é precisamente a mesma que uma unidade que é precisamente a mesma que a unidade original. Não mais acreditamos numa totalidade primordial que existiu uma vez, nem numa totalidade final que espera por nós numa futura data".      Giles Deleuze e Felix Guattari, Capitalismo e esquizofrenia, 1977,pg42.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Gosto

Não gosto de bom gosto, nem de bons modos, o meu eu não rege a etiquetas de um ser eloquênte,
quero fome rastejante pelos quatro cantos deste mundo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Gosto

Facas deveriam ser retiradas do armário da cozinha, pois tem gente que anda se suicidando pela vida alheia, uma dispersão de tempo embaralhado em suas próprias cabeças, embevecidos ficam  por uma terra que chama  a morte e enterro.
Mas provocar sentimentos e emoções em alguém é sempre bom, e eu gosto disto, numa terra em que vejo pessoas que não andam mais e  sim se rastejam pelo chão, não conseguem tirar calçados para sentir a lama entrando em seus poros em combustão
Córregos seguem os seus fluxos impreterivelmente, sem que ninguém o conceda compaixão, ele apenas é, convivência pacífica com a natureza, mergulhados pela força de água em sua terra.
Meu desejo não se anseia, não grita,  não se contamina com câncer, tumor, ou braço quebrado, Meu desejo é apenas poema, é corpo cristalizado por arte, arte que hora em hora se derrete como sorvete doce na boca de criança.
O líquído se liquidifica em erupções convulsivas de minha afeição, sem pedir lincença as pessoas, atravesso por todos os lados em desalinho de não caber em mim, zombando da morte com palavras surradas ,porém íntegras de ser apenas o que é: o gosto 



domingo, 4 de abril de 2010

Expelindo...

Olha só, a minha boceta começou a deportar formigas que há tempos percorriam pelo meu corpo, agora elas estão indo....eu as vi descendo entre as minhas coxas com formas lânguidas feito ervas trepadeiras, cairam dentro da  privada enquando eu soltava alguns excrementos distraidamente...
Antes de apertar o botão da descarga, fiquei observando as formigas pularem em meio maré  fecais....fiquei imaginando em qual terra carnal elas iriam se infiltrar de agora ao diante , será  que elas estariam contaminadas?, já que não moram mais em minhas víceras....mas uma coisa eu tenho certeza, em qualquer parte em que elas estarão,  elas continuam da mesma forma que sempre foram... desapercebidas.

O Volume do Grito

Eu sonhei que era um Serafim e as putas de São Paulo avançavam na densidade exasperante
estátuas com conjuntivite olham-me fraternalmente
defuntos acesos tagarelam mansamente ao pé de um cartão de visitas
bacharéis praticam sexo com liquidificadores como os pederastas cuja santidade confunde os zombeteiros
terraços ornados com samambaias e suicídios onde também as confissões mágicas podem causar paixões de tal gênero
relógios podres turbinas invisíveis burocracia de cinza cérebros blindados alambiques cegos viadutos demoníacos
capitais fora do Tempo e do Espaço e uma Sociedade Anônima
regendo a ilusão da perfeita bondade
Os gramofones dançam no cias
O Espírito Puro vomita um aplauso antiaéreo
O Homem Aritmético conta em voz alta os minutos que nos faltam contemplando a bomba atômica como se fosse seu espelho
encontro com Lorca num hospital da Lapa
a Virgem assassinada num bordel
estaleiros com coqueluches espetando banderillas no meu Tabu
eu bebia chá com pervitin para que todos apertassem minha mão elétrica
as nuvens coçavam os bigodes enquanto masturbavas sobre o cadáver ainda quente de tua filha menor
a lua tem violentas hemoptises no céu de nitrato
Deus suicidou-se com uma navalha espanhola
os braços caem
os olhos caem
os sexos caem
Jubileu da Morte
ó rosas ó arcanjos ó loucura apoderando-se do luto azul suspenso na minha voz


Roberto Piva