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quarta-feira, 26 de maio de 2010

pensamentos são apenas pensamentos...

"...se antes de cada ato nosso, nos puséssemos a prever todas as consequências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar." (José Saramago - "Ensaio sobre a cegueira")

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aos dias Similares

Nos dias similares, a produtividade não impede a existência de espaços livres de tempos drásticos que convertiam ócio, tédio e trabalho em único produto. A criatividade é a cognição dos dias similares. Sua cadeia de descontinuidade.
Os dias similares são de alta porosidade, absorvem tudo em seu tempo de coincidências, a capacidade temporal é enorme. 
As manhã de um mês todo podem coincidir, os melhores prazeres se acumulam nos dias similares.

Mas são dias de luz artificial. Ao caducarem, os tempos drásticos levam consigo a luz do dia, tal como a conhecíamos como a continuidade da noite.
Os dias similares facilitam desdramatizar o amor e dramatizar o humor. Ao transitar por esses dias o efeito surpresa não enfraquece, mas se transforma em um mundo surpreendente. A isso se soma a sensação de não saber optar entre chorar e rir. Uma bela despreocupação flui.

Uma pessoas que habilita somente esses dias será facilmente reconhecível por sua melancolia nada regressiva.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Ao dias comuns

Nos dias comuns as tipologias são de grande utilidade. O tempo em comum as pessoas recusam as estatísticas , não existe comercialização da comunidade. No decorrer desses dias as pessoas adquirem certa imunidade aoconsumo drástico. Réplicas da multiplicidade são adoradas mediante rituais laicos que preocupavam aqueles que preferem os dias menos compartilhados.

Nos dias comuns, a arte pública é desnecessária por natureza faz um pacto tão íntimo com o real que nada está separado. As moradias unifamiliares são impossíveis. O trajeto de carro é desnecessário porque se tornaria eterno a partir do momento que saísse da garagem. Todo transporte é público e cada bilhete se repete sem lucro.

Nos dias comuns, as pessoas tem privilégios de atleta e atingem elaboradas condições ergonômicas.

A geometria, o caos e as medidas regulares transformam-se em cálculos corruptos. Um narcisismo suave faz com que os tempos sejam líquidos.....e teme-se inudações.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Meu...

Um novo amor chega em mim sem que eu espere (e isso é muito bom), tudo o que é inesperado na vida é muito bom...Não contando o tempo em que estou com você, o tempo segue apenas o seu fluxo vital de encadear os nossos corpos ao exaurimento das nossas peles, e glândulas sudoripas se contra atacam para produções de odores mais delirosos possíveis...Um beijo terno, você me toca, e faz de mim apenas o que sou: uma mulher em seus braços...


 

Tempo de Sísifo...

Há um tempo em que eu não posto por aqui...acho que fui corrompida pelo "sistema"...estou tentando me livrar do mal...me recordei de coisas que nos fazem criar hábitos,  não conseguimos nos livrar dos tais hábitos para criar outros novos(e por que criar novos?)...parece que sempre precisamos de um "centro" de organização como uma biblioteca, onde tudo tem que ser catologado,  etiquetado e colocado a estante de exposição, o pior que muitas vezes, paradoxamente falando, não conseguimos encontrar o tal "centro". As etiquetas esvairiam-se pelas rotinas diárias dos nossos Carpiem Diem...

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Contos...

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.